30 de nov. de 2010

29 de nov. de 2010

nomes

há um antes e um depois e eu ainda não me tinha apercebido disso:

desculpa, a verdade é que, se algum dia tiver filhos, vou querer que te sentes a discutir o nome deles. pode ser até que cheguemos a acordo... mas...

mariana não.
nem joana...

é isso, pronto. espera:

nem os outros nomes todos da linha desses: joão, pedro, paulo, miguel, luís, francisco, tomás, carolina, catarina, ana.

pronto, acho que é só... espera, risca mais estes, d'outro nível:

lourenço, constança, henrique, martim, matilde, madalena e margarida, alice, clara.

pronto. acho que... espera, falta os que embirro por outros motivos:

jessica, erica, ivo, igor, hélder, gualter, orlando, leandro/a.

risca também os típicos segundos nomes, por favor:

alexandra, raquel, sofia, filipa, filipe, alexandre.

e pronto, agora sim, acho que é só.

tira esses, por favor. todos os outros discutiremos a seu tempo.

(não queiras augusto)
(nem nomes que não gosto ainda por outros motivos, ou porque me cruzei com as pessoas erradas com esses nomes na vida: cátia, liliana, carla, vera, tânia, rita, marta, sandra).

pronto e agora calo-me. são esses que não gosto.

é isso.

(não metas antónio nem tiago, por favor, também não gosto).
e acho que é tudo. ui, ainda não:

não gosto de jorge, nem josé, nem andré, nem hugo. ricardo é discutível.

agora sim, calo-me. tens os restantes disponíveis para discussão.

PS - carlos, odeio carlos.

nem quero sérgio nem marco.
nem bernardo.

PS de 6 de Dezembro - não lhe queiras chamar Rúben por favor.

28 de nov. de 2010

recordação

eu bem sei que estás para trás, mas às vezes lembro-me de ti e hei de lembrar-me sempre. o sentimento morreu, mas isso não é de ontem é de há muito atrás, mas ainda me lembro como era gostar de ti - ainda me lembro porque é que gostava de ti. e hoje lembrei-me disso, foi como um flash à minha frente, na auto-estrada. havia um gato morto, na berma, e eu vi-o, numa posição vulnerável, ainda assim, delicada, quase serena. não estava destruído como muitos dos animais que acabam sob as rodas dos veículos. parecia que dormia, excepto que não se movia. tapei os olhos para não o ver, mas a minha reacção foi involuntária. no momento seguinte percebi que a vanessa sofre por ver gatos mortos na estrada, e quando ela perguntou o que tinha acontecido, não lho repeti. escusava de perturbá-la, ainda que momentaneamente. mas lembrei-me de ti porque, numa noite de setembro, tu tinhas um gatinho pequeno para dar lá no pátio da tua casa, sob um balde: era arisco, fugia, arranhava, era rápido como uma flecha. lembro-me de estar no teu café e de ouvir uma grande algazarra: eras tu a persegui-lo, a tentar apanhá-lo. depois, com ele em mãos, a esgatanhar a tua pele, decidiste ir levá-lo à pessoa a quem o prometeste. isto imagino eu, porque não vi. explicaram-mo enquanto tinha os olhos fixos no teu carro a descrever uma curva perfeita no largo da aldeia, antes de voltares a dirigir-te na nossa direcção, virares ligeiramente à direita e continuares pela estrada que levava a odeleite para ir entregar o gato. lembro-me dum aperto no peito: era fácil imaginar o futuro contigo, enternecias-me. eu ia decidir tudo, tu ias por em prática os meus planos - de pintar a sala, de adquirir um novo carro, de chamar o que eu quisesse aos nossos filhos, e ias querer tantos quanto eu, só por causa dessa tua característica - amas animais, amas crianças, amas cozinhar. agora... eu preciso de alguém que me desafie, não o sabia na altura, sei-o agora. é por isso que não te amei, e entendo-o agora. gostar é gostar, amar não tem comparação no dicionário de língua alguma. eu não quero - e isto surpreende-me - tomar decisões e vê-las acatadas. tenho tendência ao autoritarismo e preciso de alguém que traga ao de cima o meu lado humilde, reflexivo, tolerante e cooperativo. é por isso que o meu coração adoçou quando te vi, com o rosto tenso dentro do carro, a desaparecer na noite porque dizias que o gato estava nervoso e que devia ser imediatamente entregue ao futuro dono. e quando a tua família saiu para um jantar e, os teus pais, que vinham no carro da frente, tiveram que esconder o corpo da tua gata que tinha sido atropelada na recta para a aldeia? na altura pensei que era imensa e admirável a humanidade em ti, o facto de a tua mãe saber que, aos 25 anos, te incomodava tanto o sofrimento dos teus animais que tinha que esconder o corpo da gata e esperar por uma boa altura para to contar. é isso, fiquei fascinada pela humanidade em ti. se te amei? não, amei fragmentos do futuro contigo que um dia me sentei a imaginar. isto não é nada demais, tratando-se de mim. sempre vivi com um braço na realidade e os restantes membros no mundo da imaginação, onde sou realmente feliz. o facto de ter imaginado um futuro contigo não significa que te amasse. e também sempre fui assim: sempre gostei dos pequenos gestos, rejeito o exibicionismo, uma pessoa deve ser grande nas pequenas coisas e tu eras. eras maior quando entravas descalço no café do que quando a tua mãe anunciava a tua última promoção. eras maior no teu armazém, em frente à minha casa, a pisar uvas para fazer vinho do que quando chegaste à aldeia no teu carro novo. eras melhor quando te sentaste a meu lado, eu a chorar porque o meu cão tinha sido dado, do que quando saías de manhã, de fato completo, para o trabalho. sempre admirei as pessoas por esse lado, e tu tinha-lo em demasia. de certeza que neste momento estás mais do que feliz com a mulher que escolheste. ainda não o disse mas estou feliz que tenhas encontrado outra pessoa: não estava mesmo escrito nas estrelas que devessemos ficar juntos, e eu reconhecia algum talento no romance que se desenhava sob os nossos pés, mas sempre ambicionei outro diferente para mim, mais complicado. outro em que eu amasse, amasse, amasse, até ao âmago da alma, outro em que outras pequenas coisas me adoçassem o coração, outro em que ambos trabalhássemos para nos construir mutuamente. isto, se o universo me tiver reservado algum romance. talvez eu esteja somente fadada a escrevê-los... se assim for, espero que todos à minha volta estejam felizes no amor para me darem bastante inspiração.

Coldplay - See you soon

27 de nov. de 2010

untitled

I would not only leave the country,
I'd leave the planet,
I'd leave this world.

I just couldn't take it once more.

26 de nov. de 2010

cabana sem amor

que escolha tenho eu? da última vez que me sentei sob um céu de estrelas, desejei que as coisas melhorassem em sentidos específicos. abriram-se janelas, mas fecharam-se inúmeras portas. hoje, enquanto seguia no comboio, dei comigo uma vez mais apática. estou a chegar à recta final, não é o final do curso (se chegar lá) que me assusta, não é ao curso que quero voltar. quero, no entanto, ter um plano bem traçado para o meu futuro. não posso arriscar-me a tomar a decisão errada num momento delicado destes - a minha vida já não me pertence só a mim, a perda é a perda, a despedida implica a distância e a perda, ou a ida sem volta implica a cisão completa. o plano que adoptar hoje, ao partir de viagem, pode alterar-se. o amor, como estrela cadente a guiar o meu caminho, como força vigente na minha vida, pode não ser o caminho certo, e a ambição, ou a simples realidade, podem vir e reclamar-me para si. nunca ambicionei palácios para morar ou carros topo de gama para conduzir, ou um homem alto - escritor, artista, médico - para exibir. ao invés, sempre desejei uma casinha confortável, com paredes pintadas por mim, um gira-discos, estantes de livros e lava-loiças, porque até em lavar um prato à mão há uma certa poesia, uma certa marca de solidão, a da pessoa que se entrega às lides domésticas. sempre desejei um carro velho, cheio de manhas, que me conhecesse e que eu conhecesse e que me fizesse rir - os bancos meio tortos, as portas meio perras, a direcção meio desajustada - porque nada disso me definiria, e eu seria feliz porque só isso seria um teste à perspicácia das pessoas que me conhecessem: quem me julgaria pela falta de máquina de lavar loiça, quem me julgaria pelo carro de inícios da década de 90? se me julgassem, eu saberia com quem estaria a lidar à partida - quem não julgasse, daria um passo para mais perto de mim. quanto ao homem, o que sempre imaginei seria alguém de quem eu me pudesse orgulhar - acima de tudo, orgulho, admiração, respeito - todo o resto é ornamental, ainda que os restantes não compreendessem que admiração era essa minha por ele, eu saberia e isso bastaria e bastará sempre. o país que eu sonho não existe. o carro que eu quero já não é fabricado. o homem que eu quero não me quer. e, com lisboa a passar por mim fora da janela, perguntei-me se é isto o melhor que o meu país tem a oferecer. será que tenho mesmo que me ir embora? aliás, o que concluí, foi que aqui não há nada. não irei embora em busca das luzes de paris ou da cultura francesa ou do bem que soa por-se na página do facebook: cidade - paris. se for, e hoje procurei, procurei, procurei, e não vi outra saída, é porque portugal é uma cabaninha pequenina - sim, é verdade, com uma sala de jantar com vista para o mar - mas é uma cabaninha pequenina em que as crianças, o futuro, não tem muito por onde crescer. estou a ver a minha licenciatura a aproximar-se do fim, descobri que não posso ser o que queria ser ontem - agora tenho responsabilidades, não posso ficar semanas fora a passear estrangeiros por portugal - e há a sombra da possibilidade de não conseguir passar no exame final perante o turismo de portugal para ser guia. não sei se teria estofo para passá-lo, e menos ainda se teria estofo para lidar com o meu falhanço se não passasse. e depois, que faço? vou sentar-me numa agência de viagens, ganhar 800€ por mês quando tinha contado com 1000 por semana e juntar dinheiro até aos trinta anos para ter o meu chão, o meu tecto, o meu gira-discos? às vezes apetece-me gritar-lhe: devias sentar-te aqui a planear o futuro comigo. depois lembro-me que não temos futuro juntos, que estou sozinha, que os meus amigos, e que bem os amo, precisam de começar a trabalhar na obra que serão os seus próprios futuros e que uma pessoa - ou bem que tem outra a seu lado que é inseparável e para sempre - ou tem que fazer por se bastar a si sozinha. é como se eu já estivesse com um pé no meu ideal do "amor e uma cabana", só que o amor está ausente e eu estou cansada de o esperar dentro da cabana suja, fria, com vista para um mar que só me traz melancolia, tristeza, saudade e frustrações. de que adianta ficar eternamente sentada num banco, à janela desta cabana, à espera que os meus desejos ganhem forma? que as mãos dele venham ter com as minhas? que me diga: há um plano c, que é este e é nosso e vai funcionar porque eu acredito, eu vou lutar, tu acreditas e tu também vais lutar por ele? e há o tempo a escorrer entre os meus dedos, em uma semana somo um ano aos vinte. se for para paris, em dois ou três anos sob o tecto da minha avó, sem despesas, junto o suficiente para dar uma boa entrada no meu tecto, aperfeiçoo o francês, traço um novo plano de vida, tiro um curso qualquer - quem sabe um mestrado se acabar realmente a faculdade - e volto não para a casa de partida, não para a casa 0, mas para a 2 ou a 3. e aí quem sabe, o meu futuro pudesse ser melhor. o futuro dos meus irmãos pudesse ser melhor. o nosso futuro, a existir um dia, pudesse ser melhor.

mas eu bem sei que a saudade iria matar-me aos poucos. ou irá. eu bem sei que a internet não dá abraços, nem reproduz bem vozes, bem sorrisos, nem covas no rosto, nem denuncia, se a pessoa o quiser esconder,  o estado de espírito do outro. também não equivale a estar-se presente num aniversário, num momento difícil, num evento importante. não sei que face deva dar, em que parte de mim devo deixar a pedra cair. na parte que ama, e sofre, ou na parte que está disposta a lutar por uma vida melhor, e que, em grande parte, está certa. a verdade, é que eu desejava que também isto fossem dramas, filmes, paranóias minhas. a verdade, é que em breve terei que tomar uma decisão, e vou descobrir se sou uma romântica ou se o meu coração é mesmo de pedra, como também há quem diga, e é capaz de arriscar tanto pelo melhor que a sociedade consagrou. arriscar tanto, não. arriscar tudo, suspeito.

25 de nov. de 2010

you never know how slow the moments go



So beautiful, so true.

The very thought of you
And I forget to do
Those little ordinary things
That everyone ought to do
I’m living in a kind of daydream
I’m happy as a queen
And foolish thought it may seem
To me that’s everything

The mere idea of you
The longing here for you
You never know how slow
The moments go
Till I’m near to you

I see your face in every flower
Your eyes in stars above
It’s just the thought of you,
The very thought of you, my love