«confesso, sim. confesso que é como se eu tivesse cinco anos, e que hoje contei-o pela primeira vez, mas é verdade. lembro-me de estar destroçada, de te ter arrancado de dentro de mim a ferros e, ainda assim, um braço teu ficou para trás. lembro-me de abrir o meu diário em papel, furiosa porque tinha jurado que não escreveria nem mais uma linha a teu propósito, e escrever «durante o dia, bano-te do meu pensamento, mas todas as noites, é a teu lado que me deito, e nos teus braços que adormeço, e é a minha mão que agarro, fingindo que é a tua». e é assim, como se fosse uma menina com um amigo imaginário. mas não é de ontem, quando abro a cama, peço-te que te chegues para lá. deito-me e imagino que estás lá, cansado, extenuado de um dia de trabalho, quase sinto a tua respiração na minha nuca. imagino que me dizes tudo aquilo que eu queria ouvir, mas não me alongo nisso, é mais íntimo ainda, o que queres ouvir de alguém é mais do que o que esperas dessa pessoa: é o segredo de quem és, de como és e do que queres da vida. e é isso, mexo no meu cabelo até adormecer, desemaranho-o e imagino que és tu, imagino a tua voz ensonada a comentar o dia, imagino conversas que nunca vamos ter e reformulo as que tivémos com base no que devia ter dito mas não me ocorreu na altura. vou dar sempre ao mesmo beco, e tu não estás lá. encho o peito de ar, subo, subo, subo, amo-te amo-te amo-te, sei-o tão bem, sei até que é para sempre, embora faça figas para que não seja, para que outro alguém, de falas discretas, bem alto, ombros angulosos e sorriso fácil venha e eu me perca por ele e te deixe ir de dentro de mim, até esse último braço que fica sempre. não posso não posso não posso imaginar que o ar me vai fugir outra vez, que a qualquer momento os meios de informação vão trazer até mim aquele género de notícia que quase me mata - foram ao cinema, saíram juntos, comeram-se, foderam-se, falaram-se - eu disse quase, porque não matou. é verdade que foram muitas lágrimas, muitas reformulações de planos de vida e castelos de cartas a vir por aí abaixo, o jogo virou, e eu perdi. uma vez mais, e os escritos pararam: o meu diário ficou a branco, o espaço virtual onde nos escrevia acabou com uma nota lúgubre na qual anunciei a minha morte. estive de luto por mim mesma, estive sim. doía-me o peito como me dói agora, ao recordar, a falta de ar, o choro compulsivo, os pensamentos sombrios, desesperados, como se nunca mais o sol nascesse no oriente e eu nunca mais o provasse, o sentisse nas costas, como se o mundo tivesse acabado ali, pelo menos o meu tinha, o assombro, os sentimentos, todos baralhados, como se me devesses alguma coisa quando não devias, como se me tivesses dado motivos para te amar tanto quando não me deste, como se quisesses o meu amor e depois o tivesses rejeitado, quando nunca o quiseste. e eu fechei as portas do meu recinto, pus panos negros nas janelas, anunciei que não estava. as pessoas bateram-me à porta, esconderam-me verdades que teriam acabado comigo naquele momento, compraram-me chocolates, secaram-me lágrimas com rosas. morri ali, é a verdade. os documentos estão fechados, como que lacados, nem uma linha a dar-lhes continuação. há dias descobri um texto desses, um documento contínuo, referente a meses e meses, um ano pelo menos, de relatos e desabafos contínuos. não, apagá-lo não consigo, mas vou recordá-lo mais tarde, bem mais tarde, quando já não doer. entretanto dói como álcool em carne viva. e, mesmo depois disso tudo, não sei como, levantei-me do buraco para onde caí, não sei como também, reuni os pedaços todos, os biliões de cacos do meu coração - que sofre de moleza, de ultra-sensibilidade - e o que é que fiz? enderecei-to outra vez. estúpida estúpida estúpida. enchi o peito de ar e iniciei a subida. quem disse que não acredito em deus? quem disse que não acredito em nada? não foi a segunda, deve ter sido, talvez, a quarta. subi, subi, às vezes parecia que me acenavas lá de cima, à noite, sob os cobertores, imaginava o que poderias querer dizer-me com isso, nunca cheguei a conclusão alguma, optava pelo que me era mais favorável. um dia, comecei a juntar peças, a ouvir os alertas, a escutá-lo, cá dentro - o remendado, o pontapeado, o estúpido, o mole - e ouvi que ele chorava, sim ele está a chorar outra vez. a alegria é a fase da subida. não sei dizer porquê, mas sei que não é desta, não é à vigésima, se não é à terceira já não é, mas a fé, a minha maldita fé de quem não acredita em deus e canalizou toda a sua crença nas causas impossíveis, deu-me ar, e mais ar, e subi a montanha, talvez nunca a tivesse subido tanto, julguei que via tudo lá de cima, tudo: falavam em auras, ao nosso redor, falavam na nossa perfeição, enquanto dupla, diziam que «não podia ser de outra forma», que «não se pode estar assim tão enganado», que me amas, imagina só a dimensão da loucura geral, que me amas mas que não tens espaço para mim, e eu, com o peito de cheio de ar, cheguei ao topo e comecei a voar. os meus pés deixaram o cume da montanha, estou a ver-vos aí em baixo. um dia, como disse, fiquei cheia de medo, sempre soube que ia cair, sempre me culpei por ter subido enquanto caía, e ao chegar cá abaixo a primeira coisa que faço, assim que me elevo do buraco, é recomeçar a subida. ainda estou a subir, eu sei, mas agora desisti, tirei a minha assinatura desta causa, larguei a corda há muito, a corda está enterrada, partilha a coroa de flores dos estilhaços do meu peito que não puderam ser concertados, e quando eu desisto, começo a adivinhar o início da queda. e tenho medo, tenho tanto medo... já sonhaste alguma vez que caías? eu já, é uma dor na boca do estômago, como se tudo te fugisse, como se o teu corpo se desmantelasse, como se o mundo inteiro implodisse para dentro de ti e soubesses que ias rebentar, ao mínimo toque de um objecto, de um elemento que não o ar, vais rebentar. estou à espera que venham as abelhas, as orquídeas, os pés descalços na terra húmida, um livro, uns óculos, um copo vazio na mesa de cabeceira, e me faça explodir. entretanto, só porque quero tentar imprimir um último fôlego à subida, vou imaginar que não estou a cair, que tal? ao invés, vou desligar tudo e vou deitar-me na minha caminha quentinha e imaginar que as tuas pernas se entrelaçam nas minhas e me aquecem os pés gelados e a tua voz, sonolenta, diz: boa noite, dorme bem, para eu poder responder-te também - dorme bem, meu amor»
9 de dez. de 2010
8 de dez. de 2010
il y a longtemps...
Je me rappele encore de toi, assis à côté de moi, avec tes culottes et ta t-shirt blanche, et ces mains qui ont touché la terre tous les jours, avec les ongles parfaitement découpés, et tes yeux, comme ils étaient bons... Je croi qu'ils sont tiens encore. ton sourire a toujours été discret, et ton réspiration était toujours lente et tu pensais très bien avant dire quelque chose. je me souviens de la mathématique de ton cops, comment il était robuste, comment tu étais gentil. Ces écrits ne sont pas d'amour - je t'ai jamais écrit une lettre d'amour, ou tu as considéré celle message d'adieu comme une de ces-là? Pourtant, j'aimé passer du temps avec toi a cette époque - j'aimais ta maturité et, au même temps, ton respect pour les espoirs et expectatifs de tes parents qui t'a fait cacher le cigarette, à l'âge de ving-cinq ans, juste parce que je passais dans la rue, il n'y avait pas de l'illumination quel soir, comme à tous les autres à ce fin du monde. Et oui, je me souviens de toi, assis à côté de moi, et tu disais que j'était tellement mauvaise quand je pleurais comme ça... Tu devrais avoir fait quelque chose pour le rendre possible, même maintenent, que je suis à ans-distance de cela, même maintenent, que le sentiment principale est déjà mort, et tout qui rest est la nostalgie et la mélancolie, je souhaitais que tu aurais fait quelque chose. Je souhaite qu'il aurais été tu, je continuerais à te télephoner, je continuerais a te souvenir avec tendresse, vous l'aurais fait de cette façon. Peut-être que je t'écrirais des lettres, pas lettres d'amour, mais des lettres - peut-être que dans ma vie antérieure cela était le mieux: moi a écrire des lettres a quelqu'un que je manqué. Quelqu'un qui m'aurais fait le manquer au point qu'écrire des lettres serais le meilleure partie de mes jours. Je souhaite que tu m'aurais fait un bisous à ce temps, il aurais été beau, tu n'est pas d'accord? Quel beau roman... la différence de nos hauteurs, la différence de la texture de nos peaux, près de toi je serais douce et fragile, tu serais une pierre pour moi, une vielle montagne, saufe et sage.Je crois que toute ton intelligence coulait aux sciences et aux maths, mais je pense que nos aurions eu des bonnes discussions. Encore une fois, tu n'est pas d'accord? Je voulais vraiment te voir bientôt, même à partir d'un télescope, maintenent que tu es marié - mes amours passés ont commencé a se marier! - je voudrais voir tes enfants, je sais que tu l'auras. J'éspere qu'ils héritent ta douceur, ta patience et ton intelligence pour les sciences et les maths, ton optimisme et ta humilité, toujour avec des gestes doux. Peut-être que j'aie t'aimé un jour. Si je n'aurais pas t'aimé, porquoi je te respecterais quand je méprise la grande partie de l'humanité?
6 de dez. de 2010
ga&le
«- Há casamentos por interesse, os ditos de conveniência, casamentos por amor – pareceu quase hesitar ao dizer aquela palavra, como se estivesse a pisar no campo da fantasia – e casamentos por comodismo: só porque dá jeito. Esse foi o meu caso e da Paula. Não tinhamos nenhum interesse superior um no outro, que não o facto de alguns dos nossos planos pessoais de futuro coincidirem – confessou, e ela não o interrompeu, deixou-o continuar embora quase sussurrasse «pensava que se amavam» - e isso é importante. De certeza que já o sabes há muito. Até aos dez anos, vivemos de acordo com o bom e o mau, e frequentemente o bom vem associado ao bonito e o mau ao feio, mas não os subjugam. Depois as coisas alteram-se para o bonito e o feio com a azáfama da adolescência e da televisão e dos namoricos e as mudanças que sofremos, que o nosso corpo sofre, e a consequente adaptaçao do nosso antigo eu a esse novo aspecto. Depois, para entrar na idade adulta, tens que voltar a reencontrar o bom e o mau das coisas, tens que voltar a um estado de pureza e racionalidade quase ingénua que funcione como instinto e que te mostre o caminho. Há pessoas que vivem o resto da vida de acordo com o bonito e o feio – deu-se ao trabalho de acrescentar, em tom de aparte, que tinha pena delas – outros amadurecem como seres humanos e passam a descortinar, ao invés, o bom do mau. Dá muito mais trabalho e não parece tão compensador, não enquanto somos jovens e nos julgamos com um pé no bonito, e no eterno, e todo o resto parece não ter importância, incluindo o mal – é como se a beleza, sob as mais diversas formas, fosse um escudo, uma batalha ganha, vitória garantida. Depois, para uns mais cedo, para outros mais tarde, a idade começa a cair sobre eles, e reencontram o bem e o mal e passam a preocupar-se somente com os dois lados do yin e do yang que mencionei. O bem e o mal. Calma: nem todos chegam lá – ela perguntava-se onde é que ele queria chegar com aquilo, começava a ficar impaciente, entreabriu os lábios para interrompê-lo, mas ele calou-a com um gesto e ela comprimiu os lábios – e nem sempre conhecer o bem e o mal significa que se opte pelo bem.
- Não estou a entender…
- O que eu quero dizer é que eu era demasiado novo, e tenho passado os últimos anos a tecer teorias sobre isso, para me justificar perante mim mesmo, para me perdoar. Eu era novo demais, e é a primeira vez que o confesso a alguém que não a mim. Era novo e queria um filho, achava que esse filho ia consagrar-me mais velho e que a partir daí conheceria melhor o mundo e – suspirou – enfim, subiria um degrau no estatuto de cidadão mundial. Precisava desse filho como farol que desse sentido à minha vida.»
Demência
5 de dez. de 2010
30 de nov. de 2010
29 de nov. de 2010
nomes
há um antes e um depois e eu ainda não me tinha apercebido disso:
desculpa, a verdade é que, se algum dia tiver filhos, vou querer que te sentes a discutir o nome deles. pode ser até que cheguemos a acordo... mas...
mariana não.
nem joana...
é isso, pronto. espera:
nem os outros nomes todos da linha desses: joão, pedro, paulo, miguel, luís, francisco, tomás, carolina, catarina, ana.
pronto, acho que é só... espera, risca mais estes, d'outro nível:
lourenço, constança, henrique, martim, matilde, madalena e margarida, alice, clara.
pronto. acho que... espera, falta os que embirro por outros motivos:
jessica, erica, ivo, igor, hélder, gualter, orlando, leandro/a.
risca também os típicos segundos nomes, por favor:
alexandra, raquel, sofia, filipa, filipe, alexandre.
e pronto, agora sim, acho que é só.
tira esses, por favor. todos os outros discutiremos a seu tempo.
(não queiras augusto)
(nem nomes que não gosto ainda por outros motivos, ou porque me cruzei com as pessoas erradas com esses nomes na vida: cátia, liliana, carla, vera, tânia, rita, marta, sandra).
pronto e agora calo-me. são esses que não gosto.
é isso.
(não metas antónio nem tiago, por favor, também não gosto).
e acho que é tudo. ui, ainda não:
não gosto de jorge, nem josé, nem andré, nem hugo. ricardo é discutível.
agora sim, calo-me. tens os restantes disponíveis para discussão.
PS - carlos, odeio carlos.
nem quero sérgio nem marco.
nem bernardo.
PS de 6 de Dezembro - não lhe queiras chamar Rúben por favor.
desculpa, a verdade é que, se algum dia tiver filhos, vou querer que te sentes a discutir o nome deles. pode ser até que cheguemos a acordo... mas...
mariana não.
nem joana...
é isso, pronto. espera:
nem os outros nomes todos da linha desses: joão, pedro, paulo, miguel, luís, francisco, tomás, carolina, catarina, ana.
pronto, acho que é só... espera, risca mais estes, d'outro nível:
lourenço, constança, henrique, martim, matilde, madalena e margarida, alice, clara.
pronto. acho que... espera, falta os que embirro por outros motivos:
jessica, erica, ivo, igor, hélder, gualter, orlando, leandro/a.
risca também os típicos segundos nomes, por favor:
alexandra, raquel, sofia, filipa, filipe, alexandre.
e pronto, agora sim, acho que é só.
tira esses, por favor. todos os outros discutiremos a seu tempo.
(não queiras augusto)
(nem nomes que não gosto ainda por outros motivos, ou porque me cruzei com as pessoas erradas com esses nomes na vida: cátia, liliana, carla, vera, tânia, rita, marta, sandra).
pronto e agora calo-me. são esses que não gosto.
é isso.
(não metas antónio nem tiago, por favor, também não gosto).
e acho que é tudo. ui, ainda não:
não gosto de jorge, nem josé, nem andré, nem hugo. ricardo é discutível.
agora sim, calo-me. tens os restantes disponíveis para discussão.
PS - carlos, odeio carlos.
nem quero sérgio nem marco.
nem bernardo.
PS de 6 de Dezembro - não lhe queiras chamar Rúben por favor.
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