26 de jan. de 2011

2011 - é agora!

só para que saibas que, algum ano, terá que ser O ano. algum ano terá que ser aquele em vais pôr em prática os teus planos. li algures que o dia 24 de janeiro é o mais deprimente do calendário, anualmente. os motivos prendiam-se com inúmeros factores: chegam as contas do que gastámos em dezembro, serão debitadas dos cartões de crédito, está chuva, frio, baixo nível de insolação e, para mim o principal: já nos apercebemos que 2011 será um ano igual a todos os outros, não vamos mudar nada, as promessas saíram furadas, os planos foram quimeras. ou seja: ainda não é este ano. porque não? algum ano terá que ser o ano: o primeiro ano do resto das nossas vidas. o ano em que começas aquela dieta, o ano em que começo a engordar, a acordar cedo. o ano em que plantas o tal jardim, o ano em assumes coisas permanentes que sempre te pareceram maiores que as tuas pernas. o ano em que começas a enfrentar os teus medos, o ano em que começas a falar de ti, dos teus receios, o primeiro ano dos teus desabafos, se és calado, o primeiro dos silêncios, se sempre te contaste a todos. o ano em que começas a apontar os teus compromissos numa agenda, o ano em que passo a lavar a loiça, a engomar roupa. algum ano será o primeiro em que começarás a deitar-te a horas decentes. o primeiro em que passas a frequentar o teatro, a ópera. o primeiro ano em que te diriges às urnas e abandonas as descrenças e a apreensão face a ir votar. algum ano será aquele em que deixarás de beber, em que deixaremos de fumar, em que começaremos a viver o primeiro ano do resto da nossa existência. algum ano será aquele em que te tornarás a pessoa que queres ser mas que, chegado ao dia 24, já te apercebeste que está tudo igual, que mudaste de ideias, que não tiveste força para levá-las a bom porto, que voltaste a recostar-te em quem foste até 2010. algum ano terá um dia 24 realizado, com perspectivas e objectivos a desenharem-se para a posterioridade, encaminhados. nalgum 24 estarás sóbrio, de agenda na mão e a ler aquele livro que fizeste emergir da pilha de jornais ou revistas cor-de-rosa milhentas vezes, e relativamente ao qual nunca tiveste iniciativa. algum ano será aquele em que vais ganhar o hábito de desligar a televisão às refeições ou, simplesmente, a deixar de comê-las em cima do computador, ao som da tua música. algum ano será aquele em que vais deitar fora as tuas t-shirts da adolescência, os teus cromos da bola ou da barbie, em que vais selar a tua caixinha das recordações. algum ano será o primeiro em que iniciaste aquela nova rotina de viagens anuais, aquela nova rotina de correr de manhã, em que mataste a velha rotina de comer pizza quando não te apetece cozinhar ou de evitar o rastreio de saúde anual. algum ano terá de ser o tal. num destes anos terás de abdicar do que foste em prol do que queres ser, num destes anos terás mesmo de fazê-lo; nem todos os anos da eternidade estão à tua disposição. algum dia terás de largar-te dos vícios, sair da tua zona de conforto, cumprir as juras que fazes a ti próprio, e não te conformes com a desilusão de não seres capaz de abraçar um novo «eu», desconforma-te, revolta-te. hoje disseram-me que, quando falhas em algo, e sabes que antigamente costumavas chorar sobre o erro cometido, é errado deixares de chorar, é como se te tivesses habituado ao ser falível que te tornaste, estás a dar-te descontos, a exigir menos de ti - és um conformado. por isso, chora, rebela-te contra os teus próprios lugares-comuns, escolhe este ano para ser O ano. compra um cão, faz o tal interail, mete a tal mochila às costas, dá um passo à frente e vai aprender a tal língua. passa a ir passear de manhã à praia. não estamos a caminhar para novos. talvez seja este o ano em que compras umas quantas peças de decoração para a tua vida futura, a tua casa para sempre - sejam pessoas, hábitos, novos lugares. algum ano terá de ser O ano. não to prometas para 2012, 2011 está sob os teus pés, escorre-te por entre as mãos.

25 de jan. de 2011

deflusso

non posso credere che siamo solo questo. sai quanto ho bisogno di te? sai che, tutte le ore, senza te, sembrano prove stupide, rifiuti? scusa se ti amo ancora, scusa se non sono stata capace di dimenticarti. mi crede: ho provato a farlo, non una volta, ma due, tre, un millione di volte, e non sono riuscita a lasciarti andare. mi messo a ridere da sola, quando ci ricordo. quando non penso, c'è la tua faccia che viene in pensiero. se non parlo, sei tu chi mi parli nel silenzio. lo stesso quando camino vicino al mare, mi pare di rivederti fra le onde, le tue imprinte nella sabbia, al mio fianco. il tuo respiro nel mio collo, sulla mia pelle... le tue mani che cercano le mie. direi ti amo. ti direi di non lasciarmi piú, nemmeno per due attimi. amore, abbracciami, ti prego di non partire mai - sai che nessuna stella, in tutto il cielo, vale piú di te? non c'è, in tutti gli artisti, uno capace di ricostruirti in un poema. o di illustrare la luce dei tuoi occhi. o di cantarti, non lo farebbe in modo giusto. ed io, che ti amo, so solamente che i fiori che mi hai regalato sono le piú bei che ho mai visto. e che quando non sono sicura di cosa faccio, mi fai volerti - in un modo così intenso che ho bisogno di fermare tutto che facevo, lascio la tivù, esco da casa, esco dal regno della realità per poter sognarti, immaginarci, in somma, per poter essere felice con te. e, credimi, amore mio, non c'è niente, in tutta la realità, più fermo di te, più sicuro di te, sogno mio. so solamente che potrei morire al tuo fianco - anche lì, sarei felice. non c'è niente che mi faccia più contenta che la possibilità di vederti, di saperti qui, nel stesso posto di me, e di sapere che... se vorrei, potrei trovare la tua mano con la mia.

lo so, è antico ma ti amo 
(tiziano ferro - imbranato)

18 de jan. de 2011

cruzada

andamos todos meio a cair, não é? andamos todos com coisas entaladas na garganta. eu, que me considero mulher de armas, rendi-me à paz. há anos (literalmente, há mais de dois anos) que me barriquei na minha tenda e me fiquei pela leitura de romances. o amor... apetece-me rir, o que é isso do amor? o amor só faz sofrer, só faz doer, os momentos bons, poetizados, muitas vezes são grãos de areia perto das formações graníticas dos maus. ainda assim, o amor todo o respeito merece, todo o esforço deve ser concentrado nas guerras por ele... morremos nessa luta, ou talvez seja somente a facção de terreno em que me encontro que esmoreceu, desmorou, anda a arrastar a espada, o peito em sangue, cartas de amor largadas ao vento... esvoaçam por todo o lado, vejo-as dançar no ar, os fôlegos, as lágrimas, que as escreveram... flutuam com elas, acima das nossas cabeças. tantas injecções letais, levaram os nossos corações... tantas pedras quando estavam em carne viva, tanto álcool derramado, tanto sal passado sobre a ferida... e os nossos olhos a chorar sem o nosso consentimento, e nós a tentar que todo o mundo à volta não se apercebesse, para não nos afastar dessa fonte de álcool, dessa salina que quase nos seca, quase nos faz rastejar e implorar... como é possível que continuemos a ansiar para que o álcool deixe de arder sobre as nossas feridas e o sal deixe de secar as nossas bocas? o que é, afinal, o desejo? é isso mesmo, é como se me enchesses a boca de sal, quanto mais sede tenho, mais sal passas nos meus lábios, mais sal vertes para a minha garganta, mais sal trazes nas tuas mãos... e o que é o amor? estou tão farta desta palavra, cheguei a odiar a palavra 'amor'. qual amor qual quê, apetece-me perguntar... andamos por aí a idolatrar pessoas como objectos de cera, a perdoar cada falha, a adorar cada defeito, para no fim os vermos munir-se das pernas e afastar-se... e o ciúme? só o imaginar o corpo amado misturado com outro, por defeito odiado, os sussurros, os fluidos, as peles, o suor, o silêncio da noite... o silêncio dos amantes. como dói! é por por isso que me advertiram que não imaginasse, que não pensasse, ou daria em doida. estamos todos a dar em doidos, ou só eu me torturo com essas imagens? só eu padeço de ciúmes? desgraçado de quem ama, penso, sentada no meu banco da tenda, a ver-vos passar derrotados. desgraçado de quem ama... vencidos, eternamente à espera, estupidamente optimistas, até quem não acredita no destino, no sobrenatural, espera por reconciliações, por recomeços, por regressos ao passado. aqui, da minha tenda, rio às gargalhadas, desculpem, seus tolos. desculpem, somos a corja da humanidade, pelo menos num sentido espiritual, somos sim... deus, a existir, criou-nos sem par, criou-nos para errar sobre a Terra numa eterna busca sem fim e... quando tropeçarem naquele que julguem ser o fim, ele vai rejeitar-vos, vai desligar-vos o telefone, vai responder-vos torto, vai humilhar-vos, vai passear com outras/os debaixo dos vossos olhos, vai deixar claro que não têm nada com isso, vai dar-vos mil e um fragmentos de imagens e cor para que os imaginem juntos, para que enlouqueçam assim... vai querer que saibam, enquanto se esforça também para que ignorem, que não vos querem. ainda assim, anda cá, senta-te no meu colo. ainda assim, deixa-me afastar-te este cabelo da cara. ainda assim, essa cor fica-te bem, esse vestido é novo? esse risco negro faz os teus olhos maiores... desculpem, se rio, desculpem, mas vejam, por favor, que me caem grossas lágrimas dos olhos... que estou na sombra, a saborear a derrota, enquanto vocês se arrastam, meio mortos, quase fantasmas, para beber mais um pouco de água, livrar-se do sal, e regressar ao campo de batalha. talvez seja agora que ele me quer. talvez agora ela tenha reparado em mim, talvez se tenha dado conta que nunca terá com ninguém o que teve comigo. talvez agora, cinquenta anos depois, ele veja que estive sempre ao lado dele, que sou o amor da vida dele e que sequei também eu, devido à cegueira dele. talvez... talvez, e entretanto, vocês alimentam-se de esperança, a esperança mantém-vos sãos, mas apenas para voltar à batalha, para voltar a ser derrotados, uma, e outra, e outra vez... apenas para ouvirem um já pedi que te afastes, um já te disse que ela é o amor da minha vida, um já te disse que a tua oportunidade passou, fizeste as escolhas erradas, agora esquece. e eu, aqui da sombra, vejo os vossos corpos consumidos pelo amor ao sol, e orgulho-me. sim, orgulho-me por estar sentada. orgulho-me por ver-vos passar e rir, a mim, de cujos olhos caem grossas lágrimas. a mim, cujo corpo estremece, e o que é isto... cá dentro? que fragmento é este, que lago é este que expande e me domina? será esperança? estarei eu de espada em punho, embora distraída? oh não, não quero juntar-me a vocês, não, não lutem mais... por favor, quero dizer-vos, quero pedir-vos, implorar-vos, não lutem. um grande relâmpago dá-se num primeiro instante, o primeiro e o milésimo instantes passaram, ele não vos quer, ela não vos ama...

que tola que sou, que louca que me estou a tornar. não estava realmente cá... no entanto, ainda os oiço; os ecos das minhas gargalhadas, ainda o saboreio... o sal das minhas lágrimas.

17 de jan. de 2011

corrida final

Ao contrário de toda a gente, tenho o hábito de abrandar o ritmo quando estou a chegar à meta. As minhas motivações têm pouco que ver com a necessidade premente de passar de ano. Não consigo mergulhar de cabeça num assunto que não me importo, sinto que a minha cabeça está cheia de coisas com e sem significância e sinto que estou a martirizá-la com mais impropérios.  É por isso que tenho que me apaixonar. É por isso que espero que o assunto me chame, reclame a minha atenção, e só aí estou lá de corpo e alma. Isto nem deveria ser assim tão grave, uma vez que me interesso por quase tudo. Mas, de vez em quando, lá vem uma coisa, ou pior, um conjunto de coisas ou uma cadeira completa que não me interessa nem um bocadinho. É por isso que a deixo ir abaixo, estupidamente, e me esqueço momentaneamente do objectivo final. Agora, ao recordá-lo, fui resgatar as forças, espero que não seja tarde demais. Mas, na generalidade, isto está a afundar. Acordei há pouco, resgatei alguns cacos do naufrágio e estou a tentar recuperar o navio. No entanto, eu, a quem a professora de história elogiava a objectividade, ando perdida em divagações. Fujo para as minhas paixões, sei que o professor me pergunta 1) e sei que em 1) c) existe um nicho de assunto que me interessa – escapulo-me para lá. Disserto sobre isso, sinto-me revitalizada enquanto o faço, como se afinal não estivesse assim tão perdida, como se afinal ainda conseguisse reter as datas todas na cabeça, como há pouco tempo atrás, e ainda carregasse a cultura geral como numa malinha atrás de mim. No entanto, sei que estou a responder a uma vírgula daquilo que me perguntaram. Faço um trabalho que confronta o património português e a História do país, e o que é que faço? Sei que se espera a Torre de Belém e as conquistas na costa ocidental da África, sei que quer o Padrão dos Descobrimentos e o Estado Novo, o nacionalismo, a expansão marítima dos séculos XV/XVI. Sei que quer a Batalha e Aljubarrota esmiuçados, D. Nuno Álvares Pereira associado e, por contraposição, o Convento do Carmo, que leva ao terramoto de 1755. Sei que quer o Mosteiro dos Jerónimos e a época gloriosa da nação portuguesa, a pimenta que custeou aquelas paredes, os pilares que podem, ou não, recordar palmeiras só vistas pelos portugueses à época, os elefantes a suportar o túmulo de Manuel I, único rei europeu que na altura se podia gabar de ter contacto com aquelas criaturas exóticas. Sei disso tudo, no entanto, fujo do monumento e reconto a História. Um trabalho intitulado «Histoire du Portugal», imaginem só, e eu, apaixonada da História… a cingir-me aos monumentos? São os confrontos que me interessam, são as quezílias religiosas, as aspirações da burguesia, as pretensões da nobreza, a arrogância da realeza é que tornam o assunto entusiasmante. Enfim, isto também não era para ser um texto sobre História. Mas sim sobre o facto de que o que me anima está cada vez mais reduzido, sou bombardeada com assuntos que não me interessam. Isto dá-me sempre em vésperas de exames, digo-o a propósito do de amanhã. Malditas Técnicas de Condução de Grupos. Eu não vou ser guia! Não que não seja um dos meus sonhos, porque a vida é só uma, e pequena, mas ainda assim podemos ser muitas coisas. Era esse o meu plano: ser guia enquanto não quisesse estar em casa às 19h para fazer o jantar ao marido e aos filhos. Se o marido nunca viesse, quem sabe se por ser guia e nunca estar parada no mesmo lugar, talvez prosseguisse sendo guia até às vésperas da menopausa, altura em que estaria desesperada para experimentar ser mãe antes que fosse tarde demais. Se o marido viesse e fosse d’outra nacionalidade, como é habitual entre os guias, quem sabe agarrasse nas malas e fosse morar para outro lado. Quem sabe nos divorciássemos e eu voltasse a Portugal, voltasse a sentir-me eu mesma, portuguesa, e ele soa-se a uma aventura, a um episódio engraçado, o marido «belga», lembrado com risadas. Enfim, já nem sei que digo… Depois, quando chegasse a hora de estar em casa às 19h, queria ser professora de História. Iria gozar melhor a meia-idade, as rugas da minha testa, os cabelos brancos e a flacidez, se estivesse ligada ao ensino da História, como se isso se traduzisse em experiência, em sabedoria, em ter vivido muito e ter assistido a muito. Nessa altura, ser pequenina já não é acompanhado de ditos como «a mulher quer-se é pequenina, como a sardinha». Ao invés, com a idade, a minha coluna há-de inclinar-se e hei-de encolher ainda mais. Vou ser a típica bruxa baixa e má, nessa altura já nem terei paciência para corrigir quem me julgar assim. Quem me perceber, bendito seja, quem não… creia de facto que lhe enfio a História boca abaixo só porque sou pérfida. E pronto, eram estes os meus planos. Viajar muito, receber estrangeiros, que me dá autêntico gozo, dar-lhes um bocadinho mais de mim do que era suposto, não creio que conseguisse pôr a minha sinceridade e a minha humanidade de lado quando me fizessem perguntas com vista a respostas sinceras. Não sei pintar quadros bonitos em tormentas. Sei que seria realizada também no campo profissional, sim, mas agora não é a hora. A minha corrida final, em direcção à meta de terminar a licenciatura, já sem sofrido imenso solavancos devido aos meus abrandamentos e acessos de cansaço. Tenho que ser realista: a meta de uma finalíssima seria a morte. Não tenho espírito, nem força, nem fundos para investir numa causa perdida. Mas… e então? Só tenho 21 anos, a geração anterior licenciou-se por volta dos 30. Se me licenciar agora, levo-lhes quase uma década de avanço.  Porque não tentar a finalíssima mais tarde? Ainda assim, recuso-me a estar parada um dia que seja enquanto o tempo continua a correr. A cada minuto, posso fazer um investimento, a cada instante, estou mais velha, a cada instante, perco qualquer coisa. Quero agarrar nisto tudo com as duas mãos e atirá-lo para a frente, na direcção do futuro, por muito que me custe inclinar-me agora e projectar os meus sonhos lá para a frente, onde um dia irei colhê-los. Não posso arrastar-me de robe por casa e fazer do facebook a minha distracção, não posso acordar ainda mais tarde do que já acordo. É por isso que, de momento, só me resta a opção c) Paris.

a)      Ganhar o euromilhões
b)     Virar génio e fazer a Licenciatura e a Finalíssima
c)      Paris
d) Destino

13 de jan. de 2011

erised

“If you greatly desire something, have the guts to stake everything on obtaining it.” FRANCIS, Brendan

“Serendipity. Look for something, find something else, and realize that what you've found is more suited to your needs than what you thought you were looking for.” BLOCK, Lawrence

The desire of the man is for the woman, but the desire of the woman is for the desire of the man.” STAEL, Madame de

“A woman's appetite is twice that of a man's; her sexual desire, four times; her intelligence, eight times” n/a