2 de mai. de 2011

insomnia

I would kiss you
On your knees, on your elbows, on your ankles
I would lie on your back
Our hands and legs tangled
Our body heats like the balanced temperature of the same planet
My belly would rest on your thighs
As I’d hold you tight
And I would kiss you behind the ears,
On the softer spot of your skin
And I’d trace roads of warmth between your shoulder blades
The tip of my nose would caress your front
I would rush my lips through your neck,
And be caught at the curve of your shoulder
I would be acquainted to the flavors of your skin
Is it salty on your forearm?
Is it sweeter on your wrist?
Sweaty on your palm?
Let me see how much of my tongue
Fits onto your clavicle
I would draw the very relief of you
With the tip of my fingers
I would kiss your hips,
The corner of your lips,
The high top of your eyebrows
And I’d do it all out of love
But imagine, my love, just imagine
What would I do…
If passion took me over.
Just imagine if…

Portishead - Roads

27 de abr. de 2011

be my rhett

scarlett o'hara spent a life time suffering from infatuation - she maddly, deeply, blindly, thought that she loved ashley wilkes - and for far too long. during all that time, rhett butler was loving her, with no response. rhett stands next to her, trying to give her no more that she gives him - in order to preserve his pride and dignity. though, at the very end, when it's already too late, scarlett realizes how blind she has been - rhett butler is her number one, ashley's nothing but a stubborn infatuation of her. what if... you are my ashley?

please, please, please, be my rhett.

2 de abr. de 2011

disfuncionalidade

Ela estava encostada ao móvel da cozinha, com o microondas a funcionar atrás de si e as costas quase apoiadas na porta. Ouvia a música que vinha das colunas, lá dentro. A música tinha um tom de trágico, combinava com os cabelos desgrenhados dele e com a sua t-shirt comprida, amarrotada, larga. Deixou-se estar, ambos os braços caídos ao lado do corpo, acordara há pouco tempo, sabia que estava com péssima cara. No corredor, entre o ruído do microondas e o das colunas, ouvia o pai gritar ao telefone com a mãe – conhecia-o o suficiente para saber que receava demais que ela lhe fugisse do alcance para lhe gritar, pelo que devia estar realmente irritado. Dizia «já não te lembras que íamos aí jantar? Se não estiveres lá às oito e um quarto bem podes fugir. Estás a rir? Não te rias! Comes em qualquer lugar? Mas e os miúdos?!». À sua frente, o irmão, mais alto que ela, mas também menos desenvolvido em termos mentais, apoia as palmas das mãos no tampo branco da mesa da cozinha e inclina-se para ela. Ela olha-lhe para os olhos, é onde encontra os resquícios do passado, um pouco mais normal. E ele pergunta-lhe: «eu meto-me com as pessoas? Meto-me? Meto-me com as pessoas? – diz o nome dela – Achas que me meto com as pessoas?». Ela permanece impassível, é melhor não responder, já anteriormente disse coisas que não devia, precisamente àquela pessoa, a única que não pode compreender nem mudar. O estado de loucura geral, no entanto, combina com a música, com o telefonema, com o rapaz das perguntas repetidas, insistentes, com o toque do microondas a anunciar que terminou o seu serviço, com o cabelo revolto dela e com a t-shirt larga, de um verde feio, velha, e ainda com as suas olheiras e o seu estado de espírito. Pergunta-se, antes de tudo se desfazer – antes de o telefone ser pousado, antes de o microondas cair em silêncio, antes de a música terminar, antes de o irmão lhe virar as costas e ir fazer a mesma perguntas a outras pessoas, que gritam no quintal no abrigo que é a infância – pergunta-se… como é que aconteceu esse acidente do destino, essa coisa improvável, essa ínfima possibilidade entre tantos outros cenários mais plausíveis, que é o ser considerada normal.

22 de mar. de 2011

«eu sei»

esta noite sonhei que estávamos sentados num sofá, rodeados de gente. estava a combinar-se uma odisseia qualquer, e alguém ia dissertando sobre os perigos, mas eram obstáculos símbólicos, entendi pouco da conversa, era em ti que estava concentrada. estávamos separados por uma espécie de tela pousada contra as costas do sofá, pelo que tinha que espreitar por trás da tela para ouvir o que dizias. a dada altura, puseste-me a rir e desviei o olhar da tela para o grupo, composto por rostos turvos, desconhecidos, num contexto de supostos amigos. deixava a mão apoiada na tela, por dentro e a tua, ligeira, ia encostar-se nela. devo ter ficado tão comovida que fui procurar, com a minha mão, abrigo na tua. a tua recebeu-me, enquanto conversas paralelas se desenrolavam à volta. apertámos as mãos, entrelaçámos os dedos, passei os meus pela palma da tua mão, sorri por dentro. a dada altura fizeste-me sinal para que voltasse atrás da tela, para me dizeres qualquer coisa. não me lembro do que disseste, só sei que sorrias. e eu, séria, perguntei-me se tudo aquilo seria o prenúncio de outra queda e, receosa, senti os olhos encherem-se de lágrimas e apertei os lábios. não conseguia sorrir-te também, tinha tanto medo... e o teu olhar parecia aperceber-se de cada pensamento que me cruzava a mente, e tu continuavas a sorrir. e eu punha-me a repetir mentalmente, como se pudesses ouvir, mas não querendo dizer-to por palavras - «amo-te, amo-te, amo-te», e o teu sorriso suavizava. eu desviava novamente o rosto de trás da tela para o grupo, que mal via, e sentia que introduzias um papel por entre os meus dedos, presos na tua mão. quando o abria, com os dedos trémulos, lia somente duas palavras rabiscadas: «eu sei».

11 de mar. de 2011

b&f

Eu por entre folhas que esvoaçam, a minha letra gravada nelas. Abro o meu diário e encontro tudo o que fui, consigo que coincida com aquilo que sou. Tu inscrito em cada página, ou amarguras, ou notícias, ou marcos da vida que me tem passado por entre os dedos. A consciência do tempo esmaga-me. Ainda há tanto que quero ser, e tanto que quero ver… e há tanta beleza no mundo, e tanta expectativa e, se olharmos com atenção, está tudo a desmoronar-se, e nós sem consciência disso. Continuo a achar que o mais belo romance que alguma vez conhecerei é aquele que escrevo ocasionalmente, quando a desilusão ou a alegria momentânea, ilusória, me arrasta para as linhas que vou registando. Não consigo viver mais de altos e baixos, desconfio. Há qualquer coisa cá dentro que dói, e a dor é constante, receio que seja crónica. O problema maior é quando a minha imaginação, tão fértil como a região oeste deste país, encontra bloqueios, paredes negras. Crio ambientes na cabeça, crio vidas que não viverei para viver. Escrevi poesia, escrevi prosa, encontro-me em cada quadra, em cada parágrafo, e volto a sentir a esperança que sentia na altura, a dor que me atormentava na época. E compreendo que já aguentei muito, já fui feliz, e se mais estiver para vir? Não aguento mais altos e baixos, não sei viver de esperas, os sonhos estão a deixar de bastar. Estendi a mão e vi-os esfumarem-se, e eu sou de carne e osso, concreta, sólida, vivo de dedos, lábios, olhos e visão, vivo de rosto, que se enruga, se indigna, envelhece de hora a hora. Não estraguem a minha poesia, por favor, quando perder a escrita perco tudo, quando perder a beleza que me esforço tanto para encontrar debaixo das pedras dos destroços do mundo que piso, perderei tudo. É por isso que peço, destruam-me os sonhos, porque eu consigo renová-los, mas não destruam a beleza, uma vez esborratada, torna-se ferida aberta, torna-se recanto onde não quero voltar, sítio para esquecer, buraco onde me fui enterrar. Não me estragues a beleza, porque vivo dela, da simplicidade básica do belo e do feio, o feio é mau, o belo tenho-o feito bom. E a beleza é relativa, e eu consigo construí-la, mas o feio é tão absoluto, que nem eu consigo cobri-lo de ouro e chamá-lo bonito. Não pintes de feio aquelas ruas, por favor, são do mais belo que guardo em mim.