Não são os ciúmes. Não tanto a ausência, ou a distância. A tudo isto se habitua quem ama. Quem dentro de si, mesmo arriscando queimar-se, transporta essa chama. Nem sequer a rejeição, a não retribuição, traz tanta dor. O que dói é o amor. Puro e simples, resumido à sua forma mais singular – o querer bem, o querer aqui, o querer para sempre. A santa trindade das emoções, a eterna monotonia dos poemas sem ouvidos onde os recitar, sem lábios que retribuam com beijos essas canções de embalar. O amor – nu e cru – e os planos de futuro a esfumarem-se num céu vazio. Um céu aborrecido, de tão cinzento, de tão frio. Imagens de duas pessoas à beira mar, mão na mão do outro. Fotografias da soma das alegrias, dos instantes que somados sabem a pouco. Dos beijos não dados, dos recantos assim guardados (no rosto alheio), dos passos desencontrados. Meu amor de dias não vividos, de carinhos perdidos. A vida toda, estaria eu a teu lado. A vida toda, de peito aberto à espera que precisasses de um transplante de coração, de um braço, de uma vista – para te dar os meus, tudo o que fosse meu, para que vivesses mais, para que vivesses melhor. Meu amor eterno, meu fogo ameno, meu karma, minha saudade. Repousa aí, na tua pequena mão, a chave da minha felicidade. Repousa aí, nesses teus lábios, o único líquido capaz de matar a minha sede. De atenuar a minha febre – de te ter, de me dar, de te viver. Amor de ciúme, cinzas e lume, estou cansada de queimar. De arder sozinha nesta fogueira sem água à vista. Verte em mim o alívio, a salvação, a tua vida. Deixa-me ser o berço da tua continuidade. Deixa-me roçar, com os lábios, a tua pele quente. Caio, estou a cair há demasiado tempo. Quero esquecer-te, mas cada vez há mais vento…
29 de ago. de 2011
19 de ago. de 2011
no seré pobre con tanta verdad
quero ser feliz na tua verdade. quero ser-te fiel. quero ser-te tudo, para sempre.
perdoa-me, mas o objectivo da minha existência sempre foi viver: viver, fazer como Vinícius de Moraes dizia - é melhor viver do que ser feliz. e eu tenho vivido bastante, na tentativa de ser feliz.
perdoa-me, mas o objectivo da minha existência sempre foi viver: viver, fazer como Vinícius de Moraes dizia - é melhor viver do que ser feliz. e eu tenho vivido bastante, na tentativa de ser feliz.
Vos, me viniste a buscar
Para encontrar este lugar
Un paisaje y un campo azul
Viento del sol
No seré pobre con tanto amor
Tanto sol, tanto mar
Tanta verdad
Una chispa de eternidad
Felicidad
Noches de estrellas
Que nos subieron a su altar
Mágica bebida celestial
Pampa y maíz
Vos y yo en un país
El mundo entero a mis pies
Érase una vez
Gotan Project - Érase una vez
Para encontrar este lugar
Un paisaje y un campo azul
Viento del sol
No seré pobre con tanto amor
Tanto sol, tanto mar
Tanta verdad
Una chispa de eternidad
Felicidad
Noches de estrellas
Que nos subieron a su altar
Mágica bebida celestial
Pampa y maíz
Vos y yo en un país
El mundo entero a mis pies
Érase una vez
Gotan Project - Érase una vez
16 de ago. de 2011
take a shortcut, please
love of my life. why do we have to 'live' before we get together? For life can't be lived without you. as you lay your head on somebody else's shoulder, as you caress somebody else's belly, I dream of you. Constantly, night and day. I dream of our future, and I hold on to this perfect scenery and I just can't let go. As I lay my head on somebody else's shoulder, I ban you out of my thoughts. Treason and regret fall down on me. And then no... for we must live our lives before you and I become one. The wait, always a little more than I expected. The distance, always the distance. And jealousy, it almost kills me. The idea of your skin on somebody else's skin. Your hands in somebody else's hands. Your eyes waking up to somebody else's eyes. Oh, it kills me, how can I be free? Please take a short cut and get here – our happy ending lies on my hand holding the rope. It never breaks away. But oh, how can I find happiness this way? Come to me, my love, for it’s time for us to meet.
7 de ago. de 2011
1522 cartas de amor
«Certa noite sonhei que o amor da minha vida regressava de uma viagem e me entregava, em mãos, uma carta. A custo, tentava decifrar essa carta e encontrava lá palavras como "amor e casamento". Meio cega de felicidade, olhava na direcção dele e lá estava: contido, frio, distante, a conversar com alguém como se não me visse ou eu não existisse. Foi então que me perguntei se é possível que alguém ame outra pessoa com tamanha contenção, como se esse amor nem comichão lhe fizesse, e o carregasse com a leveza de quem leva um saco de plástico, vazio, na mão. Será que dói? Ainda que o saco pareça não pesar? Se ele me amasse assim, quão grande seria esse amor silencioso e contido? E porque esperara tanto para mo demonstrar por fim? Faria parte do seu plano organizado e racionalmente-irracional de vida? Tanta planificação assustar-me-ia tanto quanto acreditar na possibilidade de exitir tal amor. Mas, nesse mesmo sonho, tudo o que ele precisava, como frequentemente, era de tempo para olhar na minha direcção e sorrir. Acabava por cingir-me pela cintura, embora continuasse a falar para o lado, descontraídamente, e eu perguntava-me se, tal como a mim sucedia, ele estava 99,9% atento amim, quieta a seu lado, cingida pela sua mão, e 0,01% atento a essa conversa banal. Será que a respiração lhe falhava, como a minha? Será que a mão lhe queimava, como a minha pele queima sempre sob a mão dele? E então, alguém partia e ficávamos só os dois. Olhava-o nos olhos, a esse meu amor, e encostava o rosto ao dele. Depois, acabava por lhe encontrar os lábios. Queria dizer tanta coisa mas, o seguro, pareceu ser ficar calada. E assim foi, um abraço silencioso em que eu gritava o quanto o amo, e um entendimento mútuo que finalmente se assumia e que duraria, sem sombra de dúvidas no nosso espírito, uma vida inteira».
A Dream is a Wish Your Heart Makes...
27 de jul. de 2011
sorri enquanto te beijo
sabe, meu amor, que te amo. e que te amarei até morrer. é por isso que todo o resto me parece tão pouco, um nada imenso de nenhum valor. sabe que te choro e te venero, e sobretudo que te espero. e sabe que te vejo, com olhos de quem vê, e que te conheço, como só conhece um livro quem o lê. sabe que à amargura dos dias subtraí a doçura de te ter. sim, o cintilar da vida, ao meu redor, por te ter. por saber-te nunca muito longe, embora raramente aqui. por saber que, nos teus olhos - laivos de mel e coisas mais profundas, lucidez e racionalidade - leio que também me lês. deslizemos agora para o silêncio, perfeição. não vejo já necessidade de prender a tua mão, pois que sinto que te prendi. ao teu olhar, que se enreda no meu. que estranhas asas povoam as minhas entranhas, murmuram a meus ouvidos. que grande és, que tola sou. sabe, meu amor, que tenho plena consciência das nossas dimensões. basta-me ter-te assim, como te tenho, para seguir pela vida a sorrir. em mim não se apagarão mais luzes, em mim, à noite, acendem-se as estrelas. fosse eu firmamento, e tu o cimento com que se constrói o mundo. sem nós, nada. reservatório de tudo. conheço-te, milagre maior, e tenho-te, não podia ter-te melhor. porque caminhas a meu lado, não acorrentado a mim. porque me beijas a testa e porque te louvo as mãos. homem honesto. amor maior. porque me guias na escuridão das ingenuidades - resquícios de infantilidade - e porque não me apontas caminhos, descreves-me as paisagens. sim e não, talvez e também. veremos o que dali vem. e eu, a teu lado, que tola sou, pequena e feliz, que feliz é quem amou assim um grande amor. ecos de palavras, distantes. que importa se não somos amantes? se nunca o seremos? sei que te amo e, nalguma linguagem, sei que me amas também. se é na matemática dos racionais, se na pureza dos amigos, se no secretismo dos poetas, isso não sei. sei que te carrego em mim e que, se fechar os olhos, me sorris. estás comigo a todo o instante. não te guardo em caixas, fotografias ou objectos. caberias lá tu em caixas, mundo, permanecerias lá tu imóvel, como os objectos, vida... quanto muito, vejo-te às vezes, num livro cá por casa. mas sei-te, e sei-te quase de cor. não quero saber-te, na totalidade, de cor. não o poderia, é inalcançável. tão grande és tu que não acabas. em mim nunca acabarás. conheço algumas pessoas de cor, e preferia que assim não fosse. a felicidade que a tua volta me trouxe. e sabe que vou chorar, «a cada ausência tua eu vou chorar». mas não lágrimas; é paixão, fogo, urgência. coisa física, átomos de energia. ainda assim, ter-te-ei aqui, para seguir pela vida a sorrir. a cada vez que afastar os lençóis, pedir-te-ei que te chegues para lá. e ainda que a tua boca nunca sobre a minha pouse, e ainda que nunca venhas a sorrir enquanto te beijo, sabe, meu amor, que te amo, e que te amarei até morrer. com a certeza de quem quer viver, de quem quer seguir, a vida inteira, com a alma enredada na tua. que o teu chá seja fervido da minha chaleira, e que os teus livros disputam com os meus a prateleira. meu amor, sabe que te amarei a vida inteira.
25 de jul. de 2011
eis a questão
uma vez vi num episódio qualquer tolo de uma série, uma mulher a pedir ao homem uma prova de que estava apaixonado por ela. e ele responde-lhe que as mãos dele começam a suar descontroladamente quando está perto dela. ela responde-lhe que isso pode acontecer-lhe perto de muitas outras mulheres, e aconselha-o a testá-lo; a seduzir uma mulher, a estar com essa outra mulher e a descobrir se as palmas das mãos começam a suar ou não. depois de muito discutir, ele acaba por aceitar o teste. enquanto beija a outra mulher, vai mexendo as mãos, abrindo-as e fechando-as e, no final, sorri: tem-nas secas.
se é verdade que esse é um dos sintomas do «estar-se apaixonado»... bom, eu já sabia que estava mas as minhas mãos não costumavam suar. ultimamente, não param de fazê-lo, basta-me saber que ele está por perto. bom era que as dele suassem também.
20 de jul. de 2011
adeus, até já
«Durante anos sofri com o teu hábito de partir sem te despedir. Até que entendi que isso era apenas a tua certeza de que ias voltar.»
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