15 de out. de 2011

special 1

um dia digo-te assim:

'olha, eu amo-te mas vivo bem com isso. é mais um amor de luz que de sal (agora). sabe que o meu amor dá três voltas ao universo e abraça-te a meio. estás bem cá dentro, protegido, nao tenhas medo. está bem, não queres uma relação, eu tambem nao quero. está bem, nao me amas, mas eu amo-te. se me deixares, cuido de ti, ainda que de longe, ainda que como amiga. cuido de ti, a vida toda, se me deixares por perto. só quero q vivas com o conforto de saber que te amo, e que és daquelas poucas pessoas dignas do estatuto de amor da vida de alguém. mesmo com todos os contras, mesmo com todas as patadas, mesmo com todas as desilusões, as lágrimas e as dores caladas, eu não vou a lado nenhum. devo ser como as estrelas constantes: sou fixa. trémula, mas fixa. só desapareço daqui a milhões de anos, pelo menos deve ser por essa altura que o meu amor vai implodir. acredito que fique a pairar no cosmos, uma nebulosa positiva, luminosa, em torno da estrela que um dia foste tu. meu amor, meu príncipe. acredito que vou conseguir tomar conta de nós os dois, amando-me mais, para poder amar-te a ti. amando-te até ao infinito, e de regresso à terra, uma vez, e outra, e infinitamente elevado ao infinito. estás aqui, no centro dos meus braços, sol.'

24 de set. de 2011

Continua o mundo, onde tu acabas?

Há dias em que me limito a amar-te. Não a amar-te como numa comédia romântica, mas como num grande épico em que, no final, são as mãos que amam que matam o amado, para o poupar a algum sofrimento maior. Maior que a morte – dá-se a vida para não sofrer. Noutros, custa-me fingir que és somente parte da minha bagagem. Imagino que, nesses dias, me sento num banco de jardim e abro a mala de viagem. Retiro as fotografias mentais, retrato dos quilómetros de estrada que percorremos juntos. Amaço poemas que te dediquei na palma da mão, os que te escrevi também. Endireito-os e devolvo-os aos compartimentos. Um pedaço de tecido laranja, que uso para me cobrir ao dormir. A consciência, total e suprema, de que não há amor. Meu amor, não há amor. Fui posta na terra sobre um terreno infértil. Porquê? Se é suposto que os acasos façam sentido? Porquê, se mesmo a Mecânica Quântica tem algumas respostas lógicas – apesar da aleatoriedade das partículas? Porquê colocar-me tanto adubo na mão, prometer-me jardins a perder de vista de alfazema e rosas, se depois o solo não se deixa salgar? Se por mais funde que eu cave – e as minhas mãos secam, os meus dedos calejam, a minha pele arde – nunca haja um grão de terra cultivável no espaço que a vida me deu? Porquê meter-me tanta riqueza nas mãos – porquê esta capacidade de amar que me arrasta e eu sigo, indefesa contra a corrente – se não posso usufruir de uma única colheita destes frutos? Meu amor, não há amor. Tudo o que é grande está perto de ti. Tudo o que vejo de grande guardo para ti. Na esperança remota que te importe. Que eu não seja só uma tola insignificante a falar a teus ouvidos. Que, um dia, tenhas o ímpeto de estender os braços e puxar-me para ti. Este fenómeno de carência, cloreto de sódio e insegurança que sou, perante ti, caiu num ciclo que o leva, constantemente, para baixo. Apetece-me gritar-te que te amo, que ainda te amo. Que é para sempre. Eu disse-te que era. Eu vivo bem com esse «para sempre». Fui eu que mo impus, de modo a seguir pela vida a adorar ouro. Por muito que as minhas mãos lutem para furar a rocha aurífera, por muito que tente puxar-te para fora das garras maciças da pedra, tu permaneces intacto, a brilhar por entre pó. Ao menos morrerei tendo visto ouro. Tendo reconhecido ouro. Tendo arruinado os dedos e corrompido a alma por ouro, não por pirite. Os meus joelhos rasgam-se de tanto te rezar. A minha voz perde-se na tentativa de te chegar. Digo sempre o contrário do que estou a sentir. Faço sempre o contrário do que quero. Pensar é-me impossível. E, assim, só estou sem ti nos livros. Escrevo sobre outras coisas. Outro ouro que não tu, para me convencer que o mundo de facto continua, onde tu acabas. Que o mundo não desmorona, se estiveres longe. E penso-te. Em sonhos, beijo-te. Digo que te amo e – louca que sou – respondes-me o mesmo. Mas eu sei, e o vazio voltou a envolver-me. Eu sei… shh, não o digas. Eu sei. O teu tecido aquece-me. As tuas páginas entretêm-me. Se a casa pegar fogo, dou a vida para salvar o que de ti tenho nela. Meu amor, que as palavras não bastam. Meu amor, a distância dos nossos dois corpos - dos nossos entendimentos - é como facas a cruzarem-me a pele. Dramas, aborrecimentos, insistência, previsibilidade. Cura-me dos meus males ó deus, se existes. Cura-me das ausências porque aqui está alguém que seria feliz até à estupidificação se lho permitisses - em cabana junto ao mar, com odor a peixe e a maresia e alheia ao luxo e à ostentação do século em que me plantaste. Porque não me fizeste à altura dele? Porquê tão baixa? Tão mais baixa que ele… que ascende ao tecto do mundo? Dá-me forças para o escutar no silêncio, porque ele não fala. Dá-me olhos para o decifrar, porque ele esconde os pesos que carrega, e ombros para dividir esses mesmos fardos com ele. Dá-me forças para o levantar, porque ele ajuda não pede. E, se sabes que no último capítulo – a existir Destino – não acabamos felizes para sempre, tira-o da minha alma. Se sabes que, no caminho que percorro, não encontrarei felicidade, retira-o da minha alma, porque está impregnada dele. Remove as cores dele da minha alma, a textura da pele dele da minha memória. Sobretudo, remove o odor dele dos meus lábios, que o afloraram. Remove-o de mim,da minha essência, do meu cerne, do meu núcleo, porque é aí que ele se foi aninhar – para que eu possa seguir de pé, até ao último dia, a amá-lo sadiamente, e a salvá-lo das intempéries do mundo cruel. Para que o mundo possa continuar, de onde ele acaba. Remove-o para que eu possa cumprir a promessa que me fiz, há quase dois mil dias atrás - quais milénios - de o proteger de tudo e sempre, para sempre.



                Amor da minha última vida,
PP

19 de set. de 2011

a minha alma na tua

respira para dentro de mim.
afoga-te em mim.
dança em mim.
dorme em mim.
vive em mim.
cai em mim.
levanta-te em mim.
desce em mim.
sobe em mim.
perde-te em mim,
chega a ti em mim.

roma uem

12 de set. de 2011

bom dia,

«O cabelo dela descaía todo para o mesmo lado da nuca no momento do acordar, assim que se sentava na cama à distância de um braço dele. Se ele ensaiasse um olhar furtivo na sua direcção, veria os contornos do seu corpo recortados contra a luz matinal que a janela filtrava e o ombro dela, desprovido da massa de cabelos, quase nu. Habitou-se a virar o rosto para o outro lado, na direcção da porta do quarto, assim que a sentia remexer-se na cama. Tudo para resistir ao impulso de ceder àquilo que teriam sido se ela, ao menos, tivesse esperado um pouco até as ideias dele assentarem. Que é como quem diz que não cedia a cingi-la pela cintura e a enterrar os lábios nos seus ombros e nos seus -----. Perguntava-se como é que o seu amor, o mesmo que descobrira tão recentemente, sobrevivera à partida que ela lhe pregara. Devia ser estúpido ou tolo.»

Estrelas Toscas

9 de set. de 2011

if, however...

«If your feelings are still what they were last April, tell me so at once. My affections and wishes have not changed, but one word from you will silence me forever. If, however, your feelings have changed, I would have to tell you: you have bewitched me, body and soul, and I love... I love... I love you. And I never wish to be parted from you from this day on.»

Mr. Darcy to Elizabeth Bennet in Jane Austen's masterpiece, Pride and Prejudice.

If, however... My affections and wishes have not changed.
So tell me that my hands are cold...