12 de jun. de 2012

cold, cold heart

How did I grow to this? You brought me here. 
I'd rather be broken - cry, kick, scream -, because then a track of warmth would still live in me. But not a single tear, who'd say?
I've became a lake of calm waters - cold, freezing, needle frozen, waters. Oh, I don't see, I don't plan, I don't bite. I live my life - my free life, with the eyes fixed on my path.

No love left, only regret, only shame - and a healthier kind of hate and a bittersweet taste of waste in my mouth. No kindness; revenge. Not that I will take it - no, maybe I'll write a novel about it (a new Count of Monte Cristo, a new Wuthering Heights), but I will laugh and it will be a sweet moment, oh yes, it will be... Remember what I wished for you? Clarity, oh clarity... keeping men away from the edge since when? All times? And you've put yourself in the wolf's cave - look up and beware, the teeth suspended over your throat. Oh, you did well... how else would I have the opportunity to laugh, in the end?

The cards don't lie, the cards illude... people illude as well, but they also get illuded. Cards don't get illuded.

Such sweet moment, that of your fall... that of your eyes, your soul, realizing what, for me, is more than evident. Oh, your sweet, sweet fall...

Oh, your disgrace - your summer - will end. And when it does... oh, when it does.

How I'll be sure that life knows what it's doing .
How I'll celebrate my certanties, in the silence of my inner space...
But oh, such sweet - glorious - moment it will be.

8 de jun. de 2012

prova de fé


Finalmente fiquei nua. Fiquei despida. Que nudez inesperada esta, em que me vi pela primeira vez. Vi quem eu sou, triunfos e perdas, orgulhos e vergonhas. Mais do que isso, porque suspeito que sempre me conheci desconfortavelmente bem demais, agora posso ser eu. Sinto-me no auge daquilo que posso ser, isto é; a energia está toda cá. É tão novo poder ser eu – e não ter outra motivação que não a de fazer-me feliz -, que me julgo meio ébria perante as possibilidades. Algo tão novo e tão promissor que os meus dias desenrolam-se com uma tolerância saudável do passado e estendem-se perante mim com um optimismo sem precedentes. Parece que sou uma mulher de desafios, de aventuras, de grandes caminhadas, de grandes gargalhadas, de orientação e de ar puro e natureza. Sempre desconfiei... e só nos últimos meses pude começar a ser isso, que sempre trouxe cá dentro...


A cada vez que me recordo do que fiz, do que fizemos… de onde temos ido, dos desafios que temos ultrapassado, na vida e no campo! Noites sem dormir, faróis de madrugada e serras a escalar… tenho tanto orgulho, tanto amor por mim e por vocês. A coragem é uma coisa bonita. O amor é uma coisa ainda mais bonita. Com o espírito leve e um sorriso nos lábios, eu vou continuar. Vou, passo a passo, a outros lugares. Começo por aqui – sou pequena e os meus braços abarcam pouco. Quero correr o mundo, talvez fosse esse, acima de todos, o meu compromisso com esta vida. Conhecer o mundo e reportá-lo em diários, romances, pequenos textos. E há a arte – a pintura e a fotografia, embora só considere que tenha jeito para a segunda, mas a primeira dá-me igualmente prazer e por isso não abdico dela -, a permitirem-me escapes contínuos para essa alegria sólida, essa felicidade que vem com brisas e fragrâncias diferentes…

Oh, eu quero ver flores que nunca vi... acariciar o tronco de árvores em que nunca toquei... eu quero ver o mar de muitos ângulos diferentes...
Eu quero lanchar no topo das Serras todas deste país.
Eu quero partilhar a minha água convosco e beber do vosso cantil quando a minha acabar.

Eu quero guardar cada lugar novo cá dentro, os vossos sorrisos e as nossas brincadeiras, o nosso humor negro e a nossa fé cega umas nas outras. É engraçado ver o mundo a duvidar. É engraçado vê-lo acenar negativamente – porque não sabe, não -, nós sabemos. Não há nada de mal aqui. Não há ninguém a trair-se aqui. Não… não abanes a cabeça, eu sei do que falo.

Quero estar lá para vos içar para o bloco de calcário maior. Quero a vossa mão estendida para me içar.
Quero abraçar-vos e pular convosco quando, finalmente, depois de cinco horas de caminhada, a capela surgir…

No final disso tudo, quero que façamos ainda uma última coisa juntas: que juntemos os nossos conhecimentos, que os mesmos convirjam. Que uma saiba que é possível fazer-se um truque para pôr um carro praticamente sem bateria a funcionar. Que outra se lembre de o empurrar. Que outra se lembre de apoiar os pés na árvore para impulsionar o carro e que outra, quando a árvore ficar para trás, se lembre de estender um ramo no chão que nos contenha igualmente os pés.


A vida é uma prova de fé, e muitas vezes será difícil acreditar. Mais difícil ainda é acreditar - em algo que não se vê -, e amar incondicionalmente. De alguma forma... conseguimos isso. E ultimamente temos esperado tanto de bom de pessoas tão promissoras, em quem depositámos tanto... e perdemo-las, perderam-nos, afinal eram outras histórias, afinal não estavam escritos no nosso percurso... Afinal o mundo só as enviou para que cresçamos mais fortes e mais unidas. Não deixo de me espantar quando me sinto a duvidar e de repente a pessoa, com um sorriso irónico e um encolher de ombros, me faz acreditar de novo. Até hoje, só vocês conseguiram isso... surpreender sempre pelo melhor.


Companheiras de luta para aventuras futuras...


Vida afora, desafios afora...


Amo-vos tanto… ‘bora viajar pelas estradas da vida adiante, viajando lado a lado, numa viagem que não tem como correr mal…

no, there isn't

there is no limit to hypocrisy,
much like there's no milk in the fridge.

4 de jun. de 2012

frankly my dear...

ultimamente tenho reflectido bastante sobre o que é uma pessoa se não a sua história. sim, a sua história, com todos os factores que pôde controlar e os outros que estiveram fora do seu alcance e o modo como lidou com eles. ultimamente, sem ser preciso fossar muito (não o faço simplesmente porque quando se dá um pontapé numa pedra surge mais lama) descobri umas quantas peças paralelas de alguns puzzles de vidas ao meu redor. se observo é como testemunha - o que é uma vida sem testemunhas? é como um livro esquecido que nunca ninguém leu, morre desconhecido. o amor é uma invenção, uma máscara bonita para a simples necessidade que as pessoas têm de destacar uma testemunha-mor para a sua vida. recentemente, tenho estado mais atenta do que nunca ao que move as pessoas. descobri que, mais do que desejo sexual, é a vaidade, a disputa, o desafio pessoal que põe óleo nas engrenagens. o que define uma pessoa, na sua história, é até que ponto se respeitou, caminhou por entre os outros sem os pisar, ou o que teve de danificar, de pôr para trás, de abdicar pelo brilho distante de um triunfo menor. o que colocou no patamar de sagrado e o que despejou daí com um varrer de braço na urgência de lá sentar um novo rabo. às vezes paga-se caro demais um passeio na montanha russa. pela excitação, por se querer algo que parece impossível, mas que na realidade não foi difícil. algo que estava só a precisar de um empurrãozinho para se dar, como se deu a todos antes e como se dará a todos depois, e que, mais cedo ou mais tarde, vai carregar o travo azedo do nada e da desconfiança. a menos que a vaidade seja tanta que se julgue ser únicos, razão de viragem, e que nesse caso nos munamos de palas e nos deixemos confiar às escuras e avançar às apalpadelas. é também preciso saber reconhecer a natureza das pessoas, e saber que quando surgirem bifurcações, é à natureza que se retorna, é esse o espaço confortável, o contrário do desconhecido, e que isso ser algum muda, pois que é imutável. é a razão que nos torna humanos, a capacidade de dizer não ao que se mais quer, por motivos maiores, por motivos sagrados. de sobrepormos o que queremos que seja a nossa história de vida aos nossos anseios efémeros de criaturas condenadas. mas quem é que ainda mantém uma gavetinha sagrada em si? ultimamente fala-se demais em aproveitar a vida, experimentar muito, correr muito, saber muito sobre um nada absoluto que são as relações fortuitas. o gratificante que é trocar, frequentemente, a pessoa que se senta no nosso joelho em público. contemplar o nada - um tudo ilusório e temporário - entre duas pessoas, entristece-me. a história pessoal e a história geral entristece-me. pirite em todo o lado, e loucos a adorá-la de joelhos. corpos trocados como sacos de batatas, um toma lá da cá que nos torna a todos mais feios, a todos menos dignos e menos auto-respeitosos. uma prostituição da alma, mais do que da carne. essa morre e apodrece, a alma perdura. enquanto alguém que tiver conhecido essa alma viver, a alma do corpo que morreu viverá também. a sua história viverá. lamento que não nos protejamos uns aos outros desse deslavado de espíritos. lamento que não tenhamos assumido, uns perante os outros, uma tentativa bem-intencionada de sermos melhores pelo bem comum. caminhamos em lama, caminhamos numa história minada de sujidade. Nada de bom advém da sujidade. nada duradouro, nada como o ouro – quase eterno, tão resistente que se tornou rapidamente naquilo que as famílias deixam para a sua continuidade, qualquer coisa de concreto e uma promessa de longevidade. os alicerces são feitos de fumo e de espelhos. de ilusões temporárias mal medidas. de futuras desilusões, porque a porta vai abrir-se e o entulho vai invadir a beleza recém criada da divisão, do espaço partilhado. feitas as contas, o somatório é nada. não se leva nada de ninguém nem se dá nada. não se recolhe nenhuma testemunha confiável para a vida. somos todos descartáveis, mais cedo ou mais tarde. o nosso desempenho, nessa dança de fumo e espelhos, é que vai inscrever-se intimamente na nossa história pessoal. naquilo que transmitiremos a quem nos der continuidade, com genuinidade. lamento profundamente, e felizmente há quem lamente comigo, que se viva assim. nesta pobreza de espírito, neste baixar do próprio preço abaixo de zero. neste dar-se a crédito ou a cheque sem fundo. quanto a mim, decidi dar ouvidos ao único homem – curiosamente fictício e criado, claro está, por uma mulher – que alguma vez teve um ideal honesto e de utilidade, por muito cru e cínico que fosse. pondo a parte da reputação ao lado, já que nem disso dispomos já – já que nada de bom é mais esperado de ninguém – escolhi o final da história dele. Quando a porta se abrir e o entulho entrar… quando a ilusão se desfizer… quando os espelhos partirem e o fumo desvanecer… quando o ouro se distinguir claramente da pirite… quando até o arrependimento for honesto e emergir da lama como único elemento de bom nuns olhos que só aí conseguirão ver… eu vou ouvir-me dizer:«Frankly my dear, I don’t give a damn».22 de Abril 2012

30 de mai. de 2012

we shouldn've never known each other's name

i know that i made it a nightmare for us both.
if i could go back... things would've been so different...
i wouldn't even recognize your face from old school books by now.

but once i can't, i'm only left with my will to win the lottary; and buy a gun.

18 de mai. de 2012

cegueira

«Eu só tive um verão e associo sempre o calor a ele. E tu tiveste todas as estações com ele, e mais do que uma vez. Não consigo imaginar como seja... [a cisão]».

Acima de tudo?
É muito arrependimento.

Hoje também me perguntaram se mudaria alguma coisa no meu passado (a pessoa não me conhece bem).
Mudava isso.

Quando um dia os meus netos me perguntarem se nunca fiz disparates, responderei:
Fiz o maior deles todos, desperdicei muito tempo, abri uma porta que nunca devia, sequer, ter existido... mas acordei a tempo de construir uma vida nos alicerces certos.

É comigo, é comigo que não consigo lidar.
É comigo, com o tempo, com as ilusões.
Onde é que eu estava com a cabeça?
Onde é que estive com a cabeça durante tantos anos?
Desconfio que nunca me vou perdoar por esta.
Estou horrorizada com o quanto uma pessoa se pode enganar na vida. A si próprio, aos outros. O quanto pude deixar que me enganassem e eu sem ver e sem poder defender-me.

O amor é uma merda destrutiva.
A fé é uma merda destrutiva.
Lutar, à revelia de tudo o que sempre nos disseram, por vezes só leva à auto-destruição.
Lutei mais e durante mais tempo do que alguma vez vi alguém lutar.
Cada movimento em vão.
Tantas lágrimas...
Tanto desespero...
Sou péssima estratega.
O egoísmo... oh, o egoísmo,
O egoísmo de acreditar que esta luta, que era minha, traria frutos...

Não fui a tempo de evitar esse erro gigante.


Uma pessoa só tem que saber aceitar que a história não é a sua...
Não, esta história não é a minha.
Ao menos isso, despi-me do feio.


end of the war


I’m mourning. I’m strong enough to deal with the loss, and I’m doing fine - better than fine, once I thought I’d die - but I still lost something. Something that meant a lot to me. Something that kept me floating for the last years. Something that, at times, felt so right that it couldn’t be wrong. I thought it would be my future. A love of a lifetime. And I wanted to be capable of such love - I won my own bet. I am capable of such love. I am, it would be forever and forever wouldn’t be that long. But I wasn’t allowed to keep forcing myself. I needed to close the door. Thank god I did or my death would be now. I don’t care anymore. I don’t care if I’m here or in China, if this love of once is here or in China. 


Now I long for something true. This was a dirty game - at times felt so pure... so overwhelming... - I was the one overwhelmed. Maybe it’s not man's nature to deal with innocence. I was näive, at times. But I was also a warrior and I fought as long as I could fight. As long as it was dignifying. I lost my dignity at times, I did. I put aside something that I would need for my entire life in order to experience one minute of absolute happiness. And I was so drunk inside - so driven, so taken - that this moments exists better in my dreams than in my memories. I regret it now, because eveything else will always taste like nothing. I regret it and I feel ashamed of it. Shame brings me to my knees. What have I done? How much time did I waste? But, most of all... I’m intelligent, am I not? So how did this happen to me among all people? I always knew men are not to be trusted. Men lie in order to keep women tied down to their feet, men put women in shelves and use them when it suits them. Men pretend to love, pretend to care. But in the end, their notion of “we” is limited to themselves and their dicks. Also, men like to be cheated on. Men like bad girls, independent women, women that do not need them at all, so that they can crawl, and beg and chase them with nothing in return. If they say yes, they feel like they’ve won a war. Such triumph, to collect a prize like a woman that needs no man. As a result? They cannot be accused of not loving - he’s being rejected, if she says no. But still, they maintain their hands full of nothing, which is how they feel comfortable.


And I? Oh I wanted to be capable of such a love... a whole life love, a love of my life love. A fifty-year old marriage, a handful of kids, a face carved with wrinkles, the path of souls connected with the passage of time. Forever. Always and forever... and, as Vinicius de Moraes once said, it only needs to be eternal while it lasts. And I got my lesson, one that I always suspected of: I am, I’ve always been, capable of such a love. Nothing superfluous, nothing empty and nothing regular and casual. No, hand in hand means love. And love means always and forever, means giving your life for the one you love, means support and distance and sleepless nights, and worries and expectations and unconditional affection. 


Turns out that, in a way, I’m proud of myself. I’ll go through life knowing that I am capable of such a love. And I proved myself that no one would ever deserve that love (not that I meant it). So this is the reason why I’m mourning. Not that I miss the lie I was in. Not that I longer for that suffering again. I’ve been bad, I’ve been down, I’ve been dead. I’ve been misunderstood and I’ve been trifled with. I ended up alone - not physically alone, that you can choose, but spiritually alone. He doesn’t fit. No one will ever fit. No one will ever want to fit and I started to don’t want anyone to fit. But I’ll live my life - oh yes, I will. I’ll be honest, I’ll be true, but I’ll live my life. And I’m mourning the death of the only time - it took me a war and it costed me the hardest loss - that I thought that maybe, just maybe, I was going to be one of those people that is allowed to be ridiculously happy in their existence.