Will we ever meet each other in Paris?
~we did~
~we did~
Os
teus pés; os teus pés que continuam para muito além dos meus, os teus pés que
se entrelaçam nos meus, gelados. Disseste-me “Se estivesse aí, estaria a
abraçar-te. Estaria a puxar-te contra o peito”. O teu peito; o teu peito é casa,
refúgio, calor e uma promessa de conforto e protecção. Não entendo muito bem. É como se o eixo da minha
existência se tivesse deslocado. A minha existência; entraste em rota de colisão com a minha existência, com todas as
imagens de futuro e todas as certezas que acarinhava. Até ti. Até ti e depois de ti serão um A.C. e um D.C. na minha vida. Tenho-te a ti, mesmo à
distância tenho-te. Sinto que te tenho e sinto que sabes que me tens. Estamos a
confiar no escuro. A rebolar sozinhos numa cama vazia do outro.
Estamos a fingir que existe uma manta tão comprida que é capaz de nos alojar
aos dois em cada um dos seus extremos. Gosto de brincar contigo às famílias.
Aos apaixonados. Aos amores à primeira vista. Aos seres que sabem que
pertencem um ao outro. Gosto de brincar contigo às línguas – de descobrir novos
significados para palavras. De dizer “quando estamos furiosos, dizemos fogo. Sim, dizemos fire!” Vejo-me de fora. Vejo o meu país de fora, através da
complacência do teu sorriso e da agilidade da tua mente crítica.